domingo, 22 de setembro de 2019

Sem título

"Quando você disse que a gente não tinha muita coisa em comum eu comecei a pensar. E é verdade. A gente não tem muita coisa a ver."
É verdade isso.
Na hora, entretanto, você respondeu que já tinha namorado com pessoas que compartilhavam do seu mundo mas que isso não necessariamente era melhor.
Compartilhar o mundo do outro é algo incrível e que, de certa maneira, me culpo por não tê-lo feito. Eu não me permiti, talvez. Parei na porta e tive medo de entrar.
Ao mesmo tempo, a porta da minha casa também esteve fechada. Não circulamos entre dois mundos. Estivemos num limbo, meio bonito, meio esquisito, mas bom. E o bom faz crer que algo era suprido nessa relação. Segurança, presença, beleza, sexo, pele... (?)
Mas faltava algo, de fato. O compartilhar de mundos. Fazer parte. Pertencer.
É corriqueiro trazer que eu não pertenço. Ao mesmo tempo, me classificar como outsider de uma forma engraçada me inclui num grupo. O de pertencer a um grupo que não pertence.
Mas eu quero pertencer, não quero estar de passagem, voando sempre por aí. Mas talvez essa de fato seja minha dificuldade. De firmar pé, tomar impulso e mergulhar. No seu mundo ou no mundo de quem queira me ver entrar.
Eu sinto muito não me permitir. Será que fui eu que errei? Eu tô tentando, mas tenho medo de água pra cair assim de cara. De certa forma, é minha culpa. Mas esse medo eu não escolhi realmente ter. Eu não queria ter te sobrecarregado, ter estado mal. Estive morta por um tempo, agora talvez volte a viver. Engraçado. Volto a vida quando não vejo o risco de cair no mundo de alguém.
O medo de cair e me machucar. O corpo frágil. "Seus ossos não são de vidro, Amelie. Você pode aguentar os impactos da vida".
Te tive, mas nunca pertencemos um ao outro. Como dois marinheiros que velejam em direção ao pôr-do-sol sem realmente alcançá-lo.
Vivemos coisas bonitas. Você é bonito, por dentro também. Desejo que compartilhe seu mundo. Ou, melhor: que alguém compartilhe seu mundo. E que transitem entre eles, criando um só. Quanto a mim, no momento me resta a comparação. Olhar alguém mergulhar pode parecer doloroso aos olhos de que não sabe nadar.


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Memórias

Quinta-feira, 19 de setembro de 2019. Um dia de chuva não muito frio em Curitiba. Estou sentada na minha cama com a televisão ligada tentando me distrair, curiosamente com um episódio pausado de "Explicando a mente". Me sinto mal e não sei bem a razão. Por isso decido escrever o que quer que tenha de ser escrito.
Hoje faz dois meses que voltei da praia com o Renan. O tempo passa rápido demais, como sempre. Já faz dois meses. E a vida segue sem eu saber se realmente estou seguindo. Recordações das semanas continuam claras, das piores, das melhores, das mais leves e das rastejantes.
O episódio pausado se chama "Memória". Eu, hoje e em vários dos dias que se foram, sei que não devo estar com o Renan. Sabia disso há muito tempo. Estou escrevendo para me lembrar disso como um fato.
Você sabe disso, Suellen.
Eu sei sim.
Eu sempre soube.
Mas nessa abstinência do término, nosso cérebro teima em querer esquecer e voltar a usar as drogas do amor, de estar junto, com os corpos colados. Memória seletiva do que é bom, ilógico e irracional. Consequência de instabilidade ou realidade?
No final, somos todos a química dos sentimentos que temos. Das sensações? Da falta? Quem sou eu e você e o que somos não sendo?

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Cortes

É interessante reconhecer nossas formas de expressão. Hoje eu percebo que meu cabelo é um desses espelhos. A forma que você quer que te percebam.
Tive o ímpeto de cortar ele inteiro semana passada. Minha amiga tirou isso da minha cabeça, mas ontem, de súbito, uma franja torta apareceu na minha cara. Eu lembro quando no ensino médio eu enfiava meu cabelo inteiro dentro de um touca pra ir pra aula. Quando cortei ele até o queixo depois que levei o primeiro “fora” na faculdade. Da relativa estabilidade que levou meu cabelo até a cintura. Das crises no último ano de namoro que me fizeram cortar ele várias vezes até a minha mãe tirar a tesoura da minha mão quando eu ameaçava cortar tudo. O cabelo novamente cortado curto no primeiro ano em Curitiba e, ontem, uma franja formada por uma escolha impossível recém-explicada por um inconsciente agora mais expresso.
Cortar fora, tirar. O ímpeto tira o tempo até de procurar um cabeleireiro. Tem que ser na hora, pra aliviar um pouco. Bendita seja a tesoura!; cada um corta os seus problemas como pode.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

sábado, 19 de maio de 2018

Sem título 01


Hoje foi dia de plantão na coleta. Sempre vou dormir tarde e estou chegando constantemente atrasada por alimentar o hábito de acordar e voltar a dormir. O plantão é daquele jeito, meio cansativo, mas algo nele me atiça de uma forma que eu não entendia até hoje.
Nós nos escondemos no laboratório. Cada dia mais isso me incomoda. E cada dia mais eu procuro me mostrar um pouco mais. Eu gosto de saber, de fazer, mas quero que me vejam, não quero ser o nome após o “Liberação:”. Oi, tô aqui. Contato.
No plantão nós andamos por aí. Vemos uma galera estressada, mas vemos também os pacientes. A gente toca neles. Sente a pele estranha. Diz que vai colher sangue e comenta que o clima tá esfriando pra disfarçar o medo de errar. E recebe um comentário sobre o programa de televisão que tá passando. Ouve que a mão está gelada, que somos um amor. Ouve eles escolhendo a veia pra você e dizendo que “ali não adianta, ninguém nunca conseguiu”. Vê os familiares sentados meio desconfortáveis e um grupo de quatro pacientes dividindo o mesmo quarto falando e rindo alto como um grupo de amigos que me lembrou eu, a Gabi e a Thamyres aqui em casa. O contato da coleta me atiça.
A gente vê as coletadoras apressadas e ótimas fazendo o seu trabalho. Vemos todos lá trabalhando muito bem. Andando pra lá e pra cá acostumados com aquela rotina. Aquela é a casa deles. Aquele é o local deles. Todos são de lá e sabem que vão voltar pra lá daqui a um ou dois dias. A sensação de pertencimento... Já eu, vôo. Estou vendo sempre tudo de cima. Eu estou aqui, mas sei que logo não estarei mais. Faço uma rotina temporária que não será minha logo, logo...
Hoje a tarde nós não saímos pra coletar. Fizemos um trabalho de estatística. E explicamos estatística pras meninas. E rimos com elas. De muitas coisas. Era um clima amistoso e, enquanto isso, o sol se pôs em meio a muito vento. Nós todas paramos. Olhando da janela de trás da maternidade. Não dava pra ver muita coisa, mas dava pra ver. Deu pra tirar fotos. Deu pra testar a câmera do celular novo que uma das meninas comprou. Deu pra escutar e exclamar! o vento batendo forte na janela.
Eu amo esse vento desde criança. Nós chamamos de Rapa-canela, um evento nomeado. É o vento em que os olhos falam pro pai: “tá chegando o frio!”. Lá em Blumenau tem pouco dessa época, mas aqui é constante. E foi aí que meus olhos arderam um pouco num misto de empolgação e...! Esse é meu último 19 de maio aqui. Meu último 19 de maio coletando, olhando pela janela da coleta o pôr-do-sol. Eu sou temporária. Tô de passagem por aqui e nem sei onde vou estar daqui a um ano.
Eu tô construindo e sentindo coisas muito grandes e novas nesse tempo de permanência. Eu me conheço e descubro cada dia mais. E eu não quero que tudo isso seja temporário. Na verdade, nada será realmente. Tudo vai me acompanhar, porque são eles e elas, mas sou eu também. A vivência aqui de casa, as pessoas brilhantes...  “O que são essas pessoas brilhantes?”. Entramos nesse assunto em análise por eu ter trazido que tenho pontos de luz espalhados. “São as pessoas que brilham, ué, as pessoas especiais. São as minhas pessoas.” As pessoas que eu quero levar pra minha vida.
Eu me pergunto se essas pessoas estarão comigo no próximo 19 de maio. Combinando fondue pro dia seguinte, jogando Imagem e ação depois de uma sopa, sentindo o vento frio no rosto, coletando sangue?... Essas coisas nos fazem olhar o presente com outros olhos. E pra ilustrar isso, aí vai o mesmo pôr-do-sol da última foto tirada aqui do nosso apto, pela Gabi, no mesmo momento.
Que esses momentos sejam presentes para sempre...!

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Por uma puta coincidência, hoje faz um ano do meu último post aqui. Coincidentemente, ontem passei pela mesma barraquinha que eu falei no último post. Porém, nenhum cachorro morrendo passou por mim. Ontem estava um belíssimo dia, por sinal.
De vez em quando, coisas me incomodam. De vez em quando tenho o ímpeto de escrever sobre elas. Mas raramente sinto disposição. Monto o texto inteiro na minha cabeça e a carga da residência vêm e me mata. Hoje, entretanto, estou disposta e, por sinal, cozinhando um ovo aqui na cozinha.
Essa semana morreu o pai de uma amiga minha. Eu não sei descrever o quanto ela é próxima ou não, pois não sei o quanto um próximo pode ser tão próximo para ser considerado próximo. Tenho essa dificuldade com pessoas que conheço há pouco tempo e dificuldades, as vezes, com pessoas em geral. Um tema para um próximo dia. But not today.
Eu tenho me incomodado por não ter ido mostrar meus sentimentos de compaixão por ela. Dizer um “oi, só queria dizer que estou aqui pra qualquer coisa que seja”. Não fui. Até perguntei pra umas amigas se devia ir. Aquela cara de “ah, amiga, não sei”. Pois então, não sei mesmo. Eu começo a imaginar a cena. O cemitério. As pessoas lá fora conversando. O local lá dentro com um certo ar de vazio. Eu já fui em três velórios. Dos meus avôs e avó. Nenhum outro, porque “isso não era lugar pra uma criança”. Eu não conheço a morte realmente. Conheço a morte pelos olhos dos meus pais. Me doía ver meu pai chorando pela minha vó. Aí entendi que era ruim mesmo. Já chorei várias vezes no hospital por escutar de caso de fulano ou ciclano. Quem me conhece sabe que eu sou um rio de lágrimas. “Por que o choro vem tão fácil pra você?”. Essas coisas me pegam. Acabar. O tempo está acabando. Está ficando tarde demais. Você está ficando velho e o seu tempo está se esgotando.
É engraçado que eu sou tão sensível pra essas coisas, uma maria chorona, e, ao mesmo tempo, eu sou dura demais. Eu decidi escrever esse texto por causa de uma frase que eu disse pra minha mãe enquanto viajávamos pro velório do meu vô (pai dela). Ela não queria comer e só chorava. “Você tem que comer. Chorar não vai trazer ele de volta.” Séria. Ela me olhou com os olhos molhados e não disse nada. Como sempre. Nunca me dizem nada e a culpa vem. Que saco essa mania de não revidar. Eu quero levar porrada, porra! Eu bato pra apanhar? Retomar essa frase me faz reviver o momento. Eu me sinto estreitando os olhos diante daquilo que eu falei, de saber que eu falava um absurdo, mas de manter a frase pairando, sem demonstrar carinho ou qualquer coisa parecida. Uma dureza mesmo, que eu não tenho realmente, mas que insiste em vir quando com eles. Mas lá dentro eu sempre me culpava e chorava depois. Pedia desculpas pro ar, esperando que alguém ouvisse e dissesse: “tudo bem, eu sei que você não quis dizer aquilo”. Porque eu não quis dizer mesmo. Mas eu disse. E eu sempre disse muita merda que me faz culpada até......!
 Eu tenho pavor da morte porque eu penso nos meus pais. E penso que eles vão morrer sem saber que eu não queria dizer isso. Ou aquilo. Ou mais aquilo lá. O tempo está indo embora. E eu estou indo embora. Eu não conheço nada, eu não conheço a morte. Porque eu nunca conheci pessoas muito bem. Por isso não dá pra me culpar por não saber lidar com elas direito (tô falando de mim pra mim). E todo esse mundo grande me espanta demais. Porque eu sempre estive em três. Eu não conheço o quarto, o além. E eu quero, mas tenho medo. Por isso, naquele dia, eu decidi ficar; “mas estou aqui, pra qualquer coisa que seja”.




 Esse texto é confuso. Mas assim estou também, há quase um mês sem terapia. E escrever me ajuda, por isso o faço. Meu ovo ficou pronto e já o comi. Já chorei também. Beijos de luz e morte.
(Texto do dia 08/04/2018) "Suellen, você alterou sua foto de capa há exatamente 3 anos e achamos que gostaria de relembrar isso." As lembranças importantes tem pipocado no meu facebook sem parar. Há exatos 3 anos, eu havia me mudado pra Florianópolis. Não conhecia ninguém lá, meus amigos e família estavam em Blumenau. Chorei quando atravessei a Ponte de medo, tudo era muito grande. Era a primeira vez que saí do ninho, de todo aquele ambiente superprotetor e essa era a foto que eu escolhi pra me representar: uma pessoa sozinha encarando a imensidão. Ano passado quando vim pra Curitiba, essa imagem novamente me contemplaria, talvez trocando e perda do horizonte pelas luzes e movimento da cidade, pelo céu rosa à distância na noite escura. Me entitulei: "a pessoa sem lar", me habituei à Ilha e pra lá queria voltar. Blumenau não mais era minha casa, Floripa era em coração, mas aonde eu estava? Somos todos resistentes à mudanças, nos habituamos ao aconchego, às presenças... pra mais uma vez deixar tudo pra trás. Não todos, mas tudo. E recomeçar de novo, procurando e conhecendo e fazendo um novo lar, com pessoas e experiências, idade, olheiras e sorrisos. Hoje sinto a cidade como minha, conheço os sons e os movimentos. De todas as habilidades, a mais importante talvez seja a de se adaptar. Mas por quanto tempo até voar de novo?...

domingo, 7 de maio de 2017

Caralho. Quase cinco anos desde a última postagem. O tempo passa, a vida muda. Penso que deveria ter escrito mais. Hoje senti a necessidade de colocar o que eu sinto no "papel" pra tirar um pouco de todo esse peso. Foi a primeira vez em muito tempo que eu andei na rua pensando no que ia escrever. E pensando em como tudo aquilo era sólido. Pesado. E cortante. Cortante feito faca. Ali lembrei do Belchior, que morreu agorinha. "E eu quero é que esse canto torto feito faca Corte a carne de vocês". E lembrei do Belchior quando passeava pela Feira do Largo Da Ordem (surpreendentemente estou morando em Curitiba. CARALHO. COMO ASSIM? Eu também não sei responder. Talvez seja o tema pra uma próxima divagação...). Quando cheguei na feira me ajoelhei pra ver os livros expostos do sebo. Estavam todos no chão. Antes de ajoelhar um cachorro estava lá deitado. Sorri. Que bonito, forte e deitado ao lado dos livros. Um cara veio conversar comigo sobre psicografia. Me julgou interessada pelo tema. Devia estar mesmo. Enfim, cansei um pouco e pensei "mas que merda, dizem que a gente está cada vez mais evoluído a cada vida, e não é pra menos afinal: é cada pedrada... na próxima vida encarnarei como Buda". Notei um pessoal comentando próximo a mim. Olhavam pro cachorro. "Tem que passar creme de prata nele, está infeccionado". Ali eu vi: ele estava com um furo na pele. Infeccionado. Tentaram acordar o cachorro. Ele abriu os olhos, mas desistia. "Tem que comprar isso, tem que passar aquilo". No final, todos foram embora. Eu engoli em seco, não entendi muito bem o porquê. E fui embora também. Mais pra frente, um artesão expôs seus trabalhos lá. Notei que tinha um amontoado de gente lá. Vários trabalhos e quadros de Kill Bill, Game of Thrones, essas coisas "Nossa, tudo dos meus filmes preferidos", diziam. Como assim? Tinha mais coisas lá. Trabalhos pintados em madeira. Trechos da Marisa Monte. Vinícius de Moraes. Belchior "A minha alucinação é suportar o dia-a-dia, E meu delírio é a experiência com coisas reais". Tinha muito coisa lá. "Mi casa, su casa". Trechos do pequeno príncipe. Tsc. Aquilo tudo me cortou demais. O pequeno príncipe e sua rosa. A rosa que morreu... Dei um volta. Fui até o final da feira, voltei e parei de novo no estande do cara. "Tudo isso tem significado demais", falei pra ele, perturbada. "Eu percebi, moça. Mas é isso que eu quero passar fazendo o que eu faço". Comprei uma ripa de madeira toda esquisita pintada em azul que dizia "O essencial é invisível aos olhos". Está pendurada na parede do meu quarto, toda torta e chorosa. Na volta, passei pela praça. Encontrei o cachorro de novo. Novamente deitado e com os olhos fechados, cansado. "Ele conseguiu subir até ali". Deve ter andado pelo menos uns 500 metros. E aí entendi o que senti. Eu andei pela feira como o cachorro. Sem ninguém me olhar, cabisbaixa. Uma menina no colo da mãe apontou pro cachorro, toda sorridente "Mãe, o cachorro está dormindo!". Não está, não, menina. Está morrendo, como eu. Tem vezes que a gente anda por aí, existe, conversa e até ri (ou abana o rabo?). Só que na verdade, estamos mortos, feito cachorro na praça. Morremos de novo e de novo, até uma hora reviver. Mas reviver, hoje, ainda parece algo um pouco distante. Deixemos assim por enquanto.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Kurt's feelings

"Se o meu sorriso pudesse expressar o que realmente sinto no fundo de minha alma, muitas pessoas ao me verem sorrindo, chorariam junto comigo." (Kurt Cobain)

Salva num arquivo criado no dia 4 de janeiro de 2008, ainda me admira o efeito que essa citação tem sobre mim todas as vezes que a leio.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ser ou tentar ser, eis a questão.

As pessoas não mudam; pelo menos não permanentemente. O que de fato se vê são pessoas fugindo de sua realidade por um tempo mas que, passado os dias e as frustradas tentativas de se adaptar àquele novo mundo, acabam voltando a ser o que sempre foram, a gostar do que sempre gostaram e a amar o que sempre amaram.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

About a song

"Pretty lay, the horses are back
Bringing joy and happiness
But all of a sudden the horses are gone
Was ony the sound of your heartbeat alone"
(Shaman - Fairy tale)

Odeio admitir que me identifico com essa parte há anos u.u

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Precisa-se

"Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar."
Clarice Lispector

domingo, 3 de janeiro de 2010

(Ex)-Retrospectiva

Pois é, passou o fim de ano e o textão feliz que eu tinha escrito sobre 2009 acabou indo pro beleléu (já que ficou inacabado e tals; agora nem vale mais xD). Mas enfim, o que vale é a intenção. Só queria dizer que 2009, com o perdão da palavra, foi do caralho!! SÉRIO, foi demais!!!! Me arrepio só de pensar no que poderá ter rolado até o fim desse ano! E olho sorrindo pra trás ao ver tudo de bom que me aconteceu em 2009, desde o primeiro minuto com a companhia do meu excelentíssimo Gabriel, anjo querido. Me deu uma sorte danada no amor aquele cara, vou te contar! Um beijo pra você, seja lá quem você seja e seja lá qual for seu verdadeiro nome, espero te encontrar novamente pois sorte desse jeito eu não encontro em cada esquina, haha. Pois é, gente, e como dizem os Beatles "all you need is love" e que continue vindo o amor nessa minha vida, rs. E que, assim como em 2009, venham muitas festas, amigos, risadas, shows e, POR FAVOR professores, menos provas. ahauahUHAUH
E, admito, mudei pra caramba nesse ano que passou. Mas eu, Suellen, meus conceitos e teorias acerca do futuro e crenças continuam íntegros e intactos dentro de mim. Só que independente da fé que você tenha de que algo irá acontecer pra ti, bata suas asinhas, descubra um mundo novo, se divirta e weee. Se algo não deu certo pra você é simplesmente pelo fato de que não era pra ser assim, o que é seu tá guardado e, com certeza, vai ser melhor do que aquilo que você "perdeu" anteriormente. Papai Noel lá de cima sabe escolher bem os presentes e desenha os caminhos na direção certa. E que assim seja!! :)

Juro, se 2010 for ao menos um pouquinho parecido com 2009, vai ser animal!! E que venham meus 18 anos! =D

Obs: eu falei Papai Noel? Espírito natalino atrasado!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Pertencer

"Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.

Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino.

Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.

Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.

Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.

Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.

Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.

A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!"

Clarice Lispector

sábado, 12 de dezembro de 2009

Faz de conta


"(...)faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não morria de saudade, faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo, faz de conta que era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os pulsos, faz de conta que os seres amados surgissem diante de si quando abrisse os olhos úmidos de gratidão, faz de conta que tudo o que tinha não era faz de conta, faz de conta que ela não estava chorando por dentro, pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado..."
Clarice Lispector

domingo, 20 de setembro de 2009

Iron Maiden Cover! (2)

só pra deixar minha opinião: PORRA, QUE SHOW FODA! \m/

sábado, 19 de setembro de 2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

(8)

Du
Du hast
Du hast mich

DU
DU HAST
DU HAST MICH

Hail Rammstein \,,/ ;D
http://www.youtube.com/watch?v=pVAcZQeZ-g0

quinta-feira, 23 de julho de 2009

About loneliness.

Oi pra quem lê isso aqui \o/ Hoje eu precisava desabafar, por isso escrevi esse texto aí embaixo. E seguindo o conselho da prof. Lia (muito efetivo, por sinal), decidi desabafar em inglês. O texto deve estar cheio de erros xD Mas mesmo assim, here we go.


Things started falling apart when I realized how lonely I've been. I trully don't have the slithest idea about how it happened. I'm a normal girl and I do have a good heart. I was always the type of person that loved to be alone, watching the people passing by while I was listening to some music or reading a book. I may be most of the time shy, specially when I want to make some friends or when I'm with somebody else's friends, but despite of the shyness, I usually smile to look nice as an invitation to start some kind of friendship with me. And, also, I think that I'm a good friend, dude. I try not to demonstrate all the internal problems I've been living, I try just to give'em my nice part. Not in a way that people think that I'm perfect and have no negative side, but in a way that can be pleasant to them and also make the ones that are with me feel good, you know? I used to think I was very good at friendships, and maybe I am. But here's the question: how many friends do I have? I'm not talking about those that we see only in one place, like school, or work.. I'm talking about how many friends do I have that I can call whenever I feel lonely, or send a text message, or even pass in his/her house when I'm longing for some company. Damn it, I felt so sad when I realized that I only have one friend. And by the way, even more sad when I saw that she had other friends and literally forgot about me. But whatever, that's past and was already solved (I hope so). I'd like so much to be more.. I don't know, sociable, maybe. I learned the worst way possible, but well, being happy is completely worthless if you have no one to share it. There's nothing worse than be at home longing to go out but you just can't for the simple fact that you have no one to invite, and that no one invites you either. I can be happy in my personal life (which, thanks God, it's kinda "working" in the past months) and can be even more happy for the good relationship with my relatives (something really hard to accomplish), but being alone on the happiness hour is worse than being sad and crying on a friend's shoulder. Possibly, when you finish to read this text, you will think I'm one of the most miserable human being for this. Or maybe you'll realize that you and me are on the same side of the coin. Whatever, as I was saying in the begginning of the text, I don't know how the hell it happened, but well, I have no one.